Faltam poucas semanas e o esquenta da Black Friday já tomou conta do celular de vocês: notificação de loja, cupom no e-mail, “oferta relâmpago” no grupo da família. Para muitos casais, é a hora de trocar o celular, o notebook ou finalmente comprar aquela TV para a sala. E, junto com o carrinho cheio, chega uma pergunta que quase ninguém faz com calma: o que acontece se esse aparelho quebrar, for roubado ou virar isca de golpe?
Levantamentos da Equifax BoaVista mostram as tentativas de fraude subindo mês após mês no segundo semestre, e a Febraban repete todo ano o alerta: grandes datas de compra atraem lojas falsas, links adulterados e centrais de atendimento de mentira. Bancos e cooperativas também já avisaram sobre um golpe que cresce em silêncio: a mensagem no WhatsApp cobrando ou “ativando” um tal de “seguro cartão protegido” que vocês nunca contrataram.
Ou seja, nesta temporada o casal precisa decidir três coisas antes de clicar em “finalizar compra”: se vale pagar seguro de celular, se a garantia estendida compensa e como não cair no falso seguro oferecido pelo chat. A seguir, um guia direto, sem promessa milagrosa e com o que as seguradoras realmente oferecem.

Vocês usam esses apps de conversa todo dia? Vejam como eles mexem com o seguro, o crédito e os golpes que rondam o casal:
A confusão começa no balcão (ou no checkout). O vendedor oferece “proteção” e muita gente aceita achando que está tudo coberto. Na prática, são três produtos diferentes, com regras diferentes:
Os fabricantes também entraram no jogo: o AppleCare+ e o Samsung Care+ são planos oficiais de reparo e, em algumas versões, de roubo ou perda. Antes de pagar qualquer extra, vale abrir o app do banco e o site do fabricante para conferir o que vocês já têm sem custo adicional. Um resumo rápido para salvar no celular:
| Proteção | Costuma cobrir | Normalmente não cobre |
|---|---|---|
| Garantia estendida | Defeito de fabricação depois do fim da garantia original | Roubo, queda, líquido e golpe por mensagem |
| Seguro de celular | Roubo, furto qualificado, quebra acidental e líquido, conforme o plano | Furto simples, perda, esquecimento e golpe por link falso |
| Proteção de compra do cartão | Roubo ou dano do item por prazo curto após a compra, conforme o cartão | Compra feita com outro meio de pagamento ou fora do prazo |
| “Seguro” oferecido no chat sem apólice | Nada: é golpe | Tudo |
O roteiro é simples e funciona justamente porque parece burocracia. Chega uma mensagem no WhatsApp, no Telegram ou por SMS: “Seu seguro cartão protegido foi ativado, responda NÃO para cancelar a cobrança mensal”. O susto leva a pessoa a responder, clicar no link ou ligar para um número “de cancelamento”. Do outro lado, uma falsa central pede senha, código de verificação ou dados do cartão para “estornar” a cobrança.
Variações aparecem em nome de bancos, cooperativas, cartões de benefício e até lojas. Instituições como Nubank, Itaú, Bradesco e Inter repetem a mesma regra nos canais oficiais: ninguém do banco pede senha ou código por mensagem. E um seguro de verdade não se contrata nem se cancela com uma resposta de chat: existe proposta, apólice ou certificado, e o cancelamento acontece pelo app ou pelo atendimento oficial.
Para o casal, o perigo dobra quando um recebe a mensagem e resolve “só ver o que é” sozinho, com pressa, sem comentar com o outro. Combinar que nenhum dos dois responde cobrança de seguro pelo chat já elimina boa parte do risco.
Órgãos de defesa do consumidor, como o Procon e a DECO PROteste, lembram pontos que muita gente esquece. A garantia estendida é um seguro com cláusulas de cobertura e de exclusão, não um “brinde”. O valor não pode vir escondido no preço do produto nem ser condição para ganhar desconto.
Façam a conta juntos antes de aceitar:
Em geral, a garantia estendida faz mais sentido para aparelhos caros, que vocês pretendem usar por muitos anos e que têm conserto difícil, como geladeira, máquina de lavar ou notebook de trabalho. Para um celular que vocês trocam a cada dois anos, quase sempre o seguro contra roubo e quebra protege melhor.
Com dois celulares em casa, a tentação é fechar o primeiro plano que aparece na tela da loja. Antes, passem por este checklist:
Uma dica que poupa dinheiro: em vez de dois planos caros, avaliem um plano mais completo para o aparelho mais exposto (de quem anda mais na rua ou usa o celular para trabalhar) e uma proteção básica para o outro. Seguro também é decisão de orçamento a dois.
Antes de cada compra grande, reservem cinco minutos juntos. Parece pouco, mas é o tempo que separa uma boa oferta de um prejuízo:
Em marketplaces como Amazon, Mercado Livre, Magalu e Shopee, confiram se quem vende é a própria loja ou um parceiro, e leiam a política de devolução antes de pagar. O direito de arrependimento nas compras online existe, mas funciona muito melhor quando vocês têm tudo documentado.
Faltam dois apps no guia: Snapchat e Instagram. Abra o hub completo do casal:
Dinheiro perdido em golpe ou em seguro inútil costuma virar briga: “por que você clicou?”, “quem mandou aceitar essa garantia?”. Quando o casal decide junto, essa conversa nem acontece. Informação combinada antes vale mais do que qualquer apólice depois.
Nesta Black Friday, façam a lista do que vão comprar, chequem o que o cartão e o fabricante já cobrem, escolham com calma o seguro que faz sentido e tratem qualquer “seguro protegido” no chat como alerta vermelho. Assim, a oferta continua boa até o fim, e a paz em casa também.